(via le-bru-ce)
Aqui tem pipoca. Tem chocolate também. Tem todas essas coisas que você gosta. Tem carinho, tem meus braços e tem uma cama que cabe nós dois. Tem cobertor grande o suficiente pra nós e bem quentinho. Tem uma TV que podemos sintonizar em qualquer canal. Tem um rádio que eu vou deixar tocando a nossa sua música. Tem tudo o que você precisa e um pouco mais. Eu poderia te ligar e dizer pra você vir e ficar comigo até o amanhecer… Mas você está fora de área, em outra cama, com outro cobertor, ouvindo outra música, comendo um monte de coisas envenenadas com doses homeopáticas de amor preparadas por outra pessoa. E eu tenho certeza que não foram tão bem feitas quanto as minhas… O que me resta é ficar aqui, comendo pipoca, na minha cama, embaixo do meu cobertor vendo a tua lembrança na minha TV e ouvindo a nossa música que já não significa mais nada pra você.

Eu não sei quem é você. Não sei qual é a cor exata dos seus olhos, ou como é a textura da sua pele. Não sou capaz de imaginar com precisão como deve ser lindo o seu sorriso, e não faço ideia de quantos sorrisos diferentes você tem — e nem o que provoca cada um deles. Eu não sei como é o seu cheiro… Não sei como deve ser a sensação do seu toque quente em minha pele fria, e nem da sua voz manhosa me fazendo provocações ao pé do ouvido… Querendo que eu perca o controle. Querendo que eu te chame de meu. Eu não sei como é o seu nome, quantos anos você tem, ou qual a rua em que você mora. Eu também não sei se esse espaço entre os meus dedos é o encaixe perfeito para os teus. Ou se esse pedaço de alma que me foi roubado habita dentro de você, ansiando por mim do mesmo jeito que anseio por você — e algo dento desse meu coração maltratado grita que nunca vou chegar a saber. Mas eu me pergunto se você sabe, com exatidão, o tamanho do amor que sinto por você. Se você sabe qual a estrada errada na qual seguimos, que acabou fazendo com que nos perdessemos. Não, não nos perdemos… Não nos perdemos porque eu nunca cheguei a te encontrar… Porque você nunca cogitou a ideia de parar de fugir e ficar. Ficar comigo por um tempo, por um pra sempre. Me pergunto se você concordaria comigo se pudesse me ouvir agora. Eu não sei quais são seus pensamentoas antes de se deitar, ou como é o seu humor ao se levantar… Mas aposto que caso questionado, você saberia responder sobre os meus. Eu sempre fui transparente demais, não é? Você sabe meu nome, sobrenome, onde me encontrar. Você reconhece esse castanho envernizado que colore meu olhar de longe, e conhece bem os meus sorrisos— especialmente aquele sorriso que só você coloca no meu rosto. Conhece minha evidente falta de controle, e minha força para lutar contra a ideia de uma possível desistência. Eu prometi não desistir. Eu prometeria não desistir, mais uma vez, se no meio desse caminho a desistência já não me houvesse sufocado. Eu não sei quem é você, mas sei que esse amor que me preenche é indiscutivelmente e insanamente seu. E sei que você não está mais disposto a aceitá-lo, mas que no fim do dia se pergunta o mesmo que eu: Por que só não amar não foi o bastante? Não foi falta de amor… Foi falta de verdade. Foi excesso de mentira, convertida em verdades convenientes que não sustentavam os paredes do nosso mundo. Foi confiança demais depositada onde não havia nada que pudesse ser cultivado. Foi eu tentando chegar até você… Foram dois passos para frente, e quatro para trás. Fora a distância não física, mas mental que se instalou entre nós. Foi o excesso exageirado da palavra acreditar, e práticas exacerbadas do verbo esperar. Esperar por ligações que não se completavam, por cartas rasbicadas a mão que acabavam esquecidas em gavetas… Esperar por amor que trancafiado ao orgulho, não sabia que caminho seguir ou qual seu ponto de chegava. E era eu. Eu, parada em meio ao vácuo do mundo, remendendo as paredes deste com resquícios de verdades esgotáveis. Eu era o ponto de chegada. Esperando. Imersa nessa total ausência de você. Imersa nessa total insegurança, nesse desespero enlouquecer de não saber quem é você. E era você… Derrubando nossas paredes, e gritando para o mundo que não… Não somos sempre. Somos nunca. Foi a ausência do significado de esquecer… Esquecer de você. (bel♥vesick)